terça-feira, 10 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
Da morte para a VIDA

No local da morte de padre Ezequiel
No dia 25, bem cedo, saímos em caravana (dois ônibus e alguns carros) para o município de Rondolândia - MT, paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, mais especificamente na comunidade Pe. Ezequiel Ramin, localizada a uns
A comunidade reunida nos acolheu com muita alegria, pois a mesma estava em festa neste dia. A Eucaristia foi presidida por Dom Bruno e concelebrada por um grupo de padres. Na mesma se fez a memória da entrega da vida e do derramamento do Sangue de Pe. Ezequiel Ramin.
A comunidade está muito comprometida no seu testemunho de vida a partir do martírio de Pe. Ezequiel Ramin e são, ao mesmo tempo, testemunhas da sua santidade. A comunidade foi fundada ha uns onze anos. Depois da celebração e de um gostoso almoço fomos ao local onde está colocada uma grande cruz como memória do martírio do Pe. Ezequiel Ramin, a uns três quilômetros da comunidade. Ali foi feito um momento de oração e a bênção da mesma pelo bispo.
Dai saímos caminhando em direção ao local do assassinato, uns trezentos metros de onde está a cruz, pois ali até hoje os donos da fazenda Catuva não permitem que se coloque nenhum sinal. Ali rezamos, cantamos e invocamos a proteção do Santo Pe. Ezequiel Ramin. Foi um momento muito bonito de louvor e agradecimento, um momento de retomar o compromisso de lutar pela vida como fez Pe. Ezequiel Ramin. Ali terminamos a celebração dos 25 anos do martírio da Vida de Pe. Ezequiel Ramin.
A certeza se reforçou: ele continua vivo!
Todos estes momentos de celebração foram verdadeiramente momentos de ação de graças, de louvor e de oração. Todos estes momentos confirmaram isso: Pe. Ezequiel Ramin deu a vida, derramou o seu sangue pela vida de outros, dos posseiros, indígenas, os pobres, como ele mesmo disse: “Se a minha vida lhes pertence, também lhes pertencerá a minha morte”. Voltamos para casa com a certeza de que Pe. Ezequiel Ramin está vivo no meio de nós e em muitas comunidades cristãs, como também nos centros de Direitos Humanos, Escolas, Comunidades, Ruas, Avenidas, Bairros, Praças e Centos Comunitários.
A celebração dos 25 anos aconteceu também em muitos outros lugares do Brasil: São Paulo, Curitiba, Indaial-SC, São José do Rio Preto-SP, Salvador, Carapina - ES, Nova Contagem-MG, São Mateus-ES, Fortaleza, Porto Velho, Santo Antônio do Matupi-AM, Manaus, Boa Vista, Duque de Caxias, Maranhão, Piauí e lembrado também em muitas das nossas comunidades.
A memória de Pe. Ezequiel Ramin foi lembrado também na Assembleia da Conferência dos Religiosos do Brasil.
“Desejamos que este exemplo continue ajudando-nos a viver o nosso compromisso missionário sempre atentos ao grito dos mais pobres. A lembrança de Pe. Ezequiel Ramin será, com certeza, para a Família Comboniana presente no Brasil e para todo o Instituto uma ocasião para agradecer, mas também para renovar o nosso desejo de consagrar toda a nossa vida ao serviço do Evangelho, comprometendo-nos na construção de uma humanidade mais fraterna e justa.
Agradecemos uma vez mais, junto com vocês, o dom de Pe. Ezequiel Ramin e desejamos que a sua lembrança seja mantida na Igreja do Brasil e no nosso Instituto como uma figura que nos desafia a viver sempre com mais profundidade a nossa vocação missionária.
Pedimos que o sangue de Pe. Ezequiel Ramin, derramado em terra de missão, se transforme em semente de muitas vocações missionárias e em vida nova para todos os cristãos que estão caminhando e se comprometem na construção de uma Igreja onde se vive os valores do amor e da justiça, e onde todos sejam reconhecidos como filhos e filhas de Deus” (Carta Superior Geral MCCJ).
O nosso muito obrigado a Dom Antonio Possamai, à Diocese de Ji-Paraná na pessoa de Dom Bruno Pedron, ao Projeto Pe. Ezequiel Ramin, à escola de Teologia Pe. Ezequiel Ramin, aos padres da paróquia Sagrada Família de Cacoal e aos representantes da mesma na sua dedicação e serviço para que esta memória continue viva.
Obrigado aos combonianos e Irmãs Combonianas e Leigos Combonianos. Obrigado a todos os que participarem das várias celebrações.
Obrigado também ao Antonio Ramin e ao grupo da Diocese de Pádua.
Que o Sangue derramado de Pe. Ezequiel Ramin nos confirme no nosso serviço missionário em favor da vida “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
(Pe. Alcides Costa, missionário comboniano)
quarta-feira, 31 de março de 2010
Aos 30 anos do martírio de São Romero
Trinta anos se passaram daquela Eucaristia plena na capela do “Hospitalito”. Naquele dia nosso santo nos escreveu: “Nós acreditamos na vitória da ressurreição”. E muitas vezes, disse ele, profetizando um tempo novo, “Se me matam ressuscitarei no povo salvadorenho”. E, com todas as ambiguidades da história em processo, nosso São Romero está ressuscitando em El Salvador, em Nossa América, no Mundo.
Este jubileu tem de renovar em todos nós uma esperança, lúcida, crítica, mas invencível. “Tudo é Graça”, tudo é Páscoa, se entrarmos a todo risco no mistério da Ceia partilhada, da Cruz e da Ressurreição.
São Romero nos ensina e nos cobra que vivamos uma espiritualidade integral, uma santidade tão mística quanto política. Na vida diária e nos processos maiores da justiça e da paz, “com os pobres da terra”, na família, na rua, no trabalho, no movimento popular e na pastoral encarnada. Ele nos espera na luta diária contra essa espécie de “mara” monstruosa que é o capitalismo neoliberal, contra o mercado onímodo, contra o consumismo desenfreado. A Campanha da Fraternidade do Brasil, ecumênica este ano, nos recorda a palavra contundente de Jesus: “Vocês não podem servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro”.
Respondendo àqueles que na Sociedade e na Igreja tentavam e tentam desmoralizar a Teologia da Libertação, a caminhada dos pobres em comunidade, esse novo modo de ser Igreja, nosso pastor e mártir replicava: “Há um ‘ateísmo’ mais próximo e mais perigoso para nossa Igreja: o ateísmo do capitalismo quando os bens materiais se erigem em ídolos e substituem a Deus”. (...)
Sempre e cada vez mais, quando maiores sejam os desafios, viveremos a opção pelos pobres, “a esperança contra toda esperança”. No seguimento de Jesus Reino adentro. Nossa coerência será a melhor canonização de “São Romero da América, Pastor e Mártir”
Fonte: http://afonsomurad.blogspot.com/
Teologia, um saber amoroso
A teologia não é um saber neutro, no qual o sujeito cognoscente se distancia com frieza matemática do objeto que pretende conhecer. Aliás, este próprio conceito de “neutralidade científica” está em crise, desde que um grupo significativo de pensadores afirmou que o olhar do observador influencia o resultado da observação, a começar do campo da microfísica e das estruturas moleculares. É parte intrínseca da teologia sua finalidade de levar o(a) teólogo(a) e a comunidade eclesial a conhecer o Deus-Amor. Ora, conhecer o Amor significa deixar-se amar, deixar-se tocar, aceitar ser iluminado por uma luz que não vem de si próprio (Sl 36,9). E ao experimentar o amor de Deus, amá-lo mais e, no Seu amor, amar a todas as suas criaturas (cf. 1 Jo 4,8). Se levarmos às últimas conseqüências a afirmação joanina de quem “quem ama conhece a Deus”, consideraremos que, no mínimo, o amor é a fé em potencial, ainda não plenamente manifestada.
Isso significa ainda que a teologia é simultaneamente uma reflexão sobre o amor (ágape-logia), que deve levar o ser humano a ser mais apaixonado por Deus e seu projeto salvífico em relação à humanidade e ao cosmos. A linguagem mais adequada para se aproximar deste mistério fontal, comporta algo específico. A teologia cristã, desde os princípios, vive a tensão entre poder falar de Deus, pois Ele mesmo se revelou (dimensão katafática), e reconhecer que todo discurso sobre o Senhor não consegue abranger a grandeza e a profundidade do Divino (dimensão apofática).
Porque é um falar sobre o Amor, a partir do Amor e visando fazer o ser humano mais amoroso, a teologia não pode lidar somente com conceitos. Toda a história da teologia no ocidente, especialmente a partir da escolástica, levou a uma grande conquista: refletir de Deus com conceitos abalizados. É algo irrenunciável para realizar a tarefa de “dar razões para nossa esperança”. Mas a teologia necessita também recorrer à história de Deus nas vidas das pessoas (caráter testemunhal) e lançar mão das analogias e da linguagem poética. Só assim, numa pluralidade de linguagens e abordagens, deixar-se-á tocar pelo mistério amoroso de Deus.
Não se trata novamente de compartimentar a teologia, reservando somente para a espiritualidade a dimensão amorosa da teologia; para a moral seu aspecto ético; e para as outras disciplinas seu caráter racional. Toda e qualquer disciplina teológica precisa estar embuída de espiritualidade, pois é um discurso que leva a conhecer e deixar-se conhecer por Deus, viver em intimidade com o Senhor, amá-lo e servi-lo. Comporta também uma dimensão ética, pois o serviço a Deus e ao seu Reino se visibiliza nas relações interpessoais e nas estruturas culturais, sócio-políticas e econômicas.
Quando se afirma que a teologia é um discurso amoroso sobre Deus, leva-se em conta que o afeto é componente essencial desta forma específica do saber. No entanto, isso não significa fideísmo, ou um discurso religioso ingênuo e adocicado pelo pietismo. A teologia não pode abandonar a coerência dos conceitos, o necessário uso da razão, de forma crítica e construtiva, e a articulação com os outros saberes humanos. Enquanto exercício da razão iluminada pela fé, é o amor lúcido, o amor pensante. Fazer teologia exige tanto o distanciamento crítico da razão quanto o envolvimento amoroso da fé. Desta tensão salutar emerge o diferencial da teologia.
É bom sinal quando um instituto de teologia, ao fazer sua avaliação anual com os alunos e professores, se pergunta: em que sentido a aprendizagem da teologia nos ajudou a conhecer, amar e servir melhor a Deus e a seu Povo. Em que aspectos auxiliou a peregrinação espiritual dos professores e dos alunos? Uma das tentações mais fortes de qualquer forma de saber, inclusive da teologia, é levar à auto-suficiência, nutrindo o orgulho e a vaidade. A lógica sutil consiste em: “porque sei mais do que os outros, sou melhor do que eles”. Assim, o conhecimento racional ocupa o lugar do conhecimento intuitivo e teologal (conhecer a Deus, ao viver a fé, a esperança e a caridade) e parece dispensá-lo. Na realidade da comunidade eclesial, os dois se completam. O (a) teólogo(a) é intérprete não somente dos dados teológicos da Escritura, na corrente da Tradição viva de sua Igreja, mas também das manifestações atuais da fé, na sua beleza e ambigüidade.
Fonte:http://casadateologia.blogspot.com/search/label/Teologia%20saber%20amoroso
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Falecimento do antropólogo Claude Lévi-Strauss - Exponete da Antropologia Contemporânea
O antropólogo Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século 20, morreu no sábado passado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon. Ele sofria de Mal de Parkinson.
Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.
O intelectual nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908, de pais judeus e franceses. Estudou direito e filosofia na Universidade de Sorbonne, na França. Nos últimos anos, Lévi-Strauss viveu recolhido no apartamento que morou nos últimos 50 anos em Paris e recebia poucos amigos.
Lévi-Strauss iniciou seu grande projeto intelectual em 1934, quando foi convidado pela recém-fundada USP (Universidade de São Paulo) para lecionar sociologia.
O antropólogo viveu durante três anos no Brasil e fez várias excursões para o Centro-Oeste e o Norte do país e, em contato com índios cadiuéus, bororos e nambiquaras, começou a esboçar as bases do estruturalismo, corrente que revolucionaria a antropologia em meados do século 20.
De volta a Paris, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, foi convocado para combater em 1939, mas deu baixa por causa da origem judia.
Em 1941, se refugiou nos Estados Unidos, dando aulas em Nova York, onde conheceu o linguista Roman Jakobson, que teve uma grande influência sobre seu pensamento.
Lévi-Strauss notabilizou-se também por sua atenção entre as relações entre a cozinha e a cultura. Na obra "Mitológicas" (1964-71), ele ilustra a oposição entre a natureza e a cultura, utilizando as noções de alimentos crus e cozidos, frescos e podres, molhados e queimados, por exemplo. Com isso, seria possível alcançar generalizações sobre o pensamento humano.
Para a maior parte do meio acadêmico brasileiro, a influência de Lévi-Strauss se deu bem depois de sua partida da USP. O etnólogo alcançou notoriedade entre os antropólogos brasileiros entre os anos 50 e 80, principalmente.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u647000.shtmlsegunda-feira, 2 de novembro de 2009
Sepé Tiaraju
domingo, 19 de julho de 2009
A Religião no seu sentido Original
Há, por isso duas tendências quanto ao desejo de conhecer: 1º No Sentido Ontológico, como inclinação essencial da inteligência, ou como alienação do ser-do-homem que deve sair de si mesmo. 2º No Sentido Gnosiológico, dentro de sua finalidade apresenta duplo aspecto: a) como valor em si, conhecer por conhecer ou se quisermos; b) conhecer por curiosidade ou conhecer para a prática. Os dois aspectos não se excluem, mas constituem como que uma finalidade do conhecimento (GRINGS Dadeus, 1985).
O filósofo procura pesquisar o ser, um nível anterior a seus modos de aparecimento e anterior as categorias de nosso conhecimento e de nossa expressão. O caminho para o caminho filosófico é a experiência e a reflexão. A filosofia surge da admiração e esta brota da curiosidade humana, sobretudo a partir das questões antropológicas Quem sou? De onde vim? Para onde vou? (grifo meu) O homem tem profundamente um amor pela verdade. Por isso deseja saber o porque das coisas e investiga suas causas. Deste modo, é a própria vida no seu encontro com a realidade.
“O ser humano é um projeto infinito. É um ser de abertura. É um ser concreto, situado, mas aberto. É um nós de relações, voltado em todas as direções. Um projeto que não encontra neste mundo o quadro de sua realização. O ser humano vivenciando-se como projeto infinito, encontra-se finalmente, um Sujeito igualmente infinito, o seu conatural. Entretanto, é somente na sua liberdade que ele o faz, e só quando decide a isso, sem nenhuma imposição. Portanto, a transcendência se dá no encontro com as pessoas. Por exemplo: você está numa crise existencial, sem rumo, e encontra alguém que tem palavras seminais, que lhe acende uma luz, que coloca a mão no seu ombro, que aponta o caminho. Não como o mestre, que diz “vá o caminho é por aí”, mas despertando o mestre escondido em você e ajudando-o a definir o caminho de sentido. Cada caminho é um caminho para a fonte. Por conseguinte, você tem uma experiência de transcendência” (BOFF Leonardo, 2000 pp.36-39).
Destarte, o homem além de ser um ser perguntador por natureza é, também, um animal consciente, quando criança toma consciência da sua existência, especialmente nos 3 anos de idade. Ela descobre que não existia e, agora dar-se conta que existe; logo em seguida compreende que é um ser dependente (relativo). Não se contenta com a argumentação dada pela mãe e, toma consciência que a existência não está nela e, conseqüentemente precisa de um ser independente (que não é igual a ele) para se relacionar positivamente ou negativamente Este ser numinoso é o Ser Absoluto (grifo meu).
Deste modo, o homem é um ser com capacidade racional de descobrir, atribuir, dar e criar a razão de ser, o sentido, o valor e o porque de tudo, cuja base é a consciência. Neste sentido, o racional não tem limites (grifo meu). A hermenêutica filosófica da religião é a busca do sentido, da razão de ser, o valor do porque das coisas. Se um sujeito perscrutar outro sujeito da seguinte forma: - Você pode me questionar de tudo, menos de Deus. Certamente, indagará ao que está fazendo, formulando tal proposição: - Por que, não posso perguntar sobre Deus? (grifo meu)
Assim sendo a religião é uma escolha do homem. Conforme Georg Schwikart, autor do “Dicionário Ilustrado das Religiões”: “A religião é difícil de ser definida, já que está presente em todos os tempos e em todas as culturas, sob as mais diversas formas”. E continua nos acrescentando: “Religião tem a ver com as questões fundamentais do homem: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? São questões a respeito do transcendente, do divino, do sagrado (oposto de profano). A origem do termo religião tem várias explicações, sobretudo, na tradição hebraico-cristã, cujo termo abrange como conceito o vocábulo latino religare que designava religar, reatar de novo, isto supõe-se, que houve uma ligação do Ser Absoluto com o homem, depois um rompimento dessa relação entre o Absoluto e o homem e, finalmente uma re-ligação. Entretanto, esse vocábulo não transmite a originalidade do termo. “Por Religião (Religere= re+eleger= reeleger) entende-se o relacionamento do ser consciente, dependente com o Ser Absoluto, na qual é independente, visto que, a criança na fase infantil dar-se conta que existe e, consequentemente se descobre como um problema, algo que precisa ser explicado que pode ser desdobrado em três questões: Donde vim? Quem sou eu? Para onde vou? A origem da Religião, sobretudo, está na consciência de sua existência. Logo, tudo o que não é consciente não é próprio do homem. É uma constatação da idade humana”. Neste sentido , o vocábulo “relegere” ou “religere” elucidado por alguns pensadores, na qual significa reler, observar conscientemente, no seu sentido original vale para todas as religiões existentes e as que virão a existir (grifo meu). A religiosidade se refere basicamente ao sentimento que se tem em relação a algo superior. A sede do sentimento religioso está no coração do ser humano. Citando Otto, encontraremos na experiência mística, principalmente na religiosidade intrínseca esse parecer filosófico:“O homem afunda-se e dissolve-se no seu nada e na sua pequenez. Quanto mais se descobre, clara e pura a seus olhos, a grandeza de Deus, tanto melhor reconhece a sua própria pequenez. O divino está acima da razão, o mesmo se dá com os instintos, que estão num nível mais abaixo da razão. Portanto, um Deus compreendido não é Deus”.
A verdadeira Religião é aquela que é sustentada por duas plataformas: A unidirecionalidade (única direção) – O ser humano deve “amar de graça”. É um amor gratuito, sem interesse nenhum. Não cobra absolutamente nada. Só pode amar de graça quem é perfeito. Na medida em que o indivíduo louva o Ser Absoluto, esperando uma retribuição, ela se limita, diminui o Ser Absoluto. É pensar pequeno. O amor é liberdade. A onidirecionalidade – É amar a todos, por exemplo o pagão, muçulmano, cristão. O amor não é seletivo. A ausência de amor é o inferno, enquanto que a presença de amor é a eternidade. A única maneira de salvação do sujeito é a identificação ou imitação do Absoluto (grifo meu).
Quero deixar presente nesta minha constatação um pequeno fato acontecido numa conferência de mesa-redonda, cujos debatedores eram Leonardo Boff e Dalai-Lama, figuras muito influentes na área da espiritualidade: Certa vez, Leonardo Boff perguntou a Dalai-Lama maliciosamente: “Santidade, qual é a melhor religião?” Leonardo Boff esperava que ele dissesse: “É o budismo tibetano” ou “são as religiões orientais, muito mais antigas que o cristianismo”. Segundo Leonardo Boff, o Dalai-Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso e olhou bem nos olhos dele, o que fez com ele desconcertasse um pouco e afirmou: “A melhor religião é aquela que te faz melhor”. Leonardo Boff interrogou novamente sua Santidade Dalai-Lama: “O que me faz melhor? E ele respondeu: “Aquilo que te faz mais compassivo, aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável... A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião”. Portanto a Religião é a relação das pessoas limitadas com o Ser Pleno.
